Leilão faz Petrobras buscar acerto com a China
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Entre as negociações em curso para o primeiro leilão de petróleo
do pré-sal pelo regime de partilha, o governo analisa a formação de um
consórcio liderado pela Petrobras e pela chinesa Sinopec, com a participação de
outras petroleiras, como a norueguesa Statoil.
A estatal brasileira, no caso de integrar um consórcio para
participar diretamente do leilão, estuda elevar sua parcela na sociedade dos
30% obrigatórios pela atual legislação para até 40%.
A entrada da chinesa no consórcio pode envolver ainda um acordo
para que ela financie o pagamento da parcela de bônus devido pela Petrobras,
aliviando a estatal de suas dificuldades atuais de caixa por causa do dólar
valorizado e da defasagem de preços dos combustíveis.
O valor total do bônus a ser pago pelo consórcio vencedor foi
fixado em R$ 15 bilhões. Ou seja, no caso de a Petrobras ficar com os 30%
previstos em lei, ela teria de pagar ainda neste ano R$ 4,5 bilhões ao Tesouro
Nacional. Se pular para 40%, o valor subirá para R$ 6 bilhões.
Por se tratar de um campo estratégico, de baixo risco de
exploração pelas pesquisas já feitas na área indicando reservas recuperáveis
entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo, a estatal brasileira
gostaria de deter a maior parcela possível no consórcio vitorioso do leilão.
As negociações com os chineses envolvem a garantia de fornecimento
de óleo àquele país. Este, por sinal, é o principal motivo para a China
participar do leilão.
Caso acerte ainda financiar a parcela de bônus devida pela
Petrobras, o governo chinês pode pedir que o pagamento do empréstimo seja feito
também com o fornecimento de petróleo.
O leilão do campo de Libra, na bacia de Santos, está agendado para
21 de outubro. Será o primeiro pelo novo modelo de exploração de petróleo, de
partilha de produção. Pelo edital, o consórcio vencedor terá de entregar à
União no mínimo 41,65% do lucro óleo obtido no campo.
A avaliação do mercado é que o viés intervencionista das novas
regras, que dá ao governo poder de veto nas decisões do consórcio, vai levar à
formação de no máximo dois competidores.
Um consórcio formado pelas empresas privadas, que já estaria quase
definido. E outro pelas estatais, na qual estariam a Petrobras e Sinopec.
O Planalto não concorda que as regras do leilão tenham caráter
intervencionista exagerado. Diz que o governo buscou defini-las para garantir a
participação de todos os sócios na governança do consórcio, desde que tenham ao
menos 10% do negócio.
Um assessor diz que o governo sabe que as grandes petroleiras não
disputariam o leilão se fossem apenas investidoras no campo de Libra.
A presidente Dilma tem objetivo duplo com o leilão de Libra.
Espera que ele ajude a melhorar o ânimo dos investidores em relação ao Brasil e
reverta o clima de desconfiança presente na economia desde o início do ano.
Conta ainda com os R$ 15 bilhões para ajudar a equipe econômica a
tentar cumprir a meta de superavit primário de 2,3% do PIB (Produto Interno
Bruto), auxiliando o Banco Central na tarefa de combater a inflação.
A Petrobras, mesmo que perca a disputa direta do leilão, fará
parte obrigatoriamente do consórcio vencedor. Pela legislação, ela é a
operadora única dentro do modelo de partilha de produção no pré-sal e o
ganhador tem de incluí-la no consórcio com participação de 30%.
Fonte: Uol.com

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